Comum, mas não normal
Já passaram meses desde o parto e a barriga continua lá. Parece mais «solta», às vezes incha ao fim do dia, e quando se levanta da cama aparece um alto ao longo do meio. Pode sentir também dor nas costas ou perdas de urina. E ouve, de todos os lados, que «é só fazer abdominais».
Durante a gravidez, os dois lados do músculo reto abdominal afastam-se para dar espaço ao bebé. Isto é fisiológico e acontece em praticamente todas as grávidas no fim da gestação. Em muitas mulheres a separação diminui sozinha nos meses seguintes; noutras mantém-se, e fala-se então de diástase abdominal. Mais do que a largura do afastamento, importa a função: se a parede abdominal consegue transmitir força e sustentar o tronco.
O que pode estar na raiz
- Tecido conjuntivo distendido. A linha alba, o tecido que une os dois lados do músculo, pode ter ficado fina e com menos tensão.
- Gestão da pressão. Suster a respiração, empurrar a barriga para fora ao fazer força ou abdominais mal adaptados aumentam a pressão sobre a linha média.
- Pavimento pélvico. O abdómen e o pavimento pélvico trabalham em equipa; quando um não responde, o outro sofre.
- Respiração e postura. Um tórax rígido, costelas abertas e uma postura de «barriga para a frente» mantêm a parede abdominal sob tensão.
- Cicatriz de cesariana e mobilidade visceral. Aderências podem alterar a forma como a parede abdominal se move.
Como podemos ajudar
Na consulta avaliamos a parede abdominal em repouso e em movimento, a respiração, a postura e — com o seu consentimento — o pavimento pélvico, porque andam juntos.
A fisioterapia pélvica trabalha a ativação profunda do abdómen coordenada com a respiração e o pavimento pélvico, e uma progressão gradual até ao exercício e às tarefas do dia a dia, sem medo de se mexer. A osteopatia visceral pode complementar, sobretudo quando há cicatriz de cesariana ou tensão no abdómen. Muitas mulheres sentem a barriga mais firme e funcional; em situações de hérnia associada, o seu médico avaliará outras opções.
O que pode fazer já
- Levante-se de lado. Para sair da cama, rode primeiro para o lado e use os braços, em vez de se sentar «a direito».
- Expire ao fazer esforço, deixando a barriga «puxar para dentro» suavemente, sem suster o ar.
- Adie os abdominais clássicos até ter sido avaliada — e observe se a barriga faz um «alto» ao meio durante algum exercício.
Se se identifica com esta página, fale com a Joana. O seu corpo fez algo extraordinário; merece ser acompanhado na recuperação.