O que é
Amamentar é natural, mas nem sempre é fácil. A pega depende de muitas coisas ao mesmo tempo: da posição da mãe, do conforto do bebé, da forma como ele abre a boca, roda a cabeça, move a língua e coordena sucção, deglutição e respiração.
O nosso apoio à amamentação é uma intervenção de fisioterapia e de osteopatia. Olhamos para o corpo da mãe e para o corpo do bebé e procuramos as tensões que tornam a mamada difícil ou dolorosa.
Não substituímos o trabalho das parteiras, das enfermeiras especialistas em saúde materna, das conselheiras e consultoras em aleitamento materno nem dos pediatras. Somos uma peça da equipa: quando a técnica de amamentação já foi trabalhada e a dificuldade persiste, muitas vezes há algo no corpo que vale a pena observar.
Como funciona uma sessão
Começamos por ouvir: como foi o parto, como estão as mamadas, o peso do bebé, as fraldas, a dor nos mamilos, o que já foi tentado e quem já está a acompanhar.
Depois, observamos uma mamada. Vemos a posição da mãe e do bebé, o alinhamento da cabeça e do corpo, a abertura da boca, a pega e o ritmo da sucção.
No bebé, avaliamos a mobilidade do pescoço (consegue rodar bem para os dois lados?), da mandíbula, da língua e do pavimento da boca, o tónus geral e a postura. O tratamento usa técnicas manuais muito suaves e, quando faz sentido, pequenos exercícios orais que os pais podem repetir em casa.
Na mãe, avaliamos a postura durante a mamada, a tensão nos ombros, no pescoço e nas costas, e as cicatrizes ou dores do pós-parto que possam estar a interferir. Ajustamos almofadas, apoios e posições para que a mamada seja confortável para as duas pessoas.
Em que situações pode ajudar
Muitas mães procuram este apoio quando o bebé tem dificuldade em manter a pega, faz estalidos, só aceita um lado, adormece logo ou mama durante muito tempo, ou quando a dor nos mamilos persiste. Pode ser útil também quando a mãe tem dor musculoesquelética ao amamentar.
Quando há suspeita de freio lingual curto (anquiloglossia), o diagnóstico e a decisão sobre a frenotomia cabem ao médico. O nosso papel é avaliar e trabalhar a mobilidade e o conforto do bebé, antes e depois do procedimento, em articulação com a equipa.
A evidência sobre a terapia manual em dificuldades de amamentação é ainda limitada. Por isso, a observação da mamada e os ajustes práticos são sempre parte central do trabalho.
O que esperar e quantas sessões
Algumas famílias notam diferenças rapidamente; outras precisam de um acompanhamento de algumas semanas. Ajustamos o plano em função do peso, do conforto da mãe e da evolução das mamadas, e comunicamos com a restante equipa sempre que útil.
Perguntas frequentes
Também ajudam com o biberão?
Sim. Muitas das mesmas dificuldades na pega surgem com o biberão, e o trabalho é semelhante.
Devo trazer alguma coisa?
O boletim de saúde do bebé, os registos de peso e a almofada de amamentação que usa em casa, se tiver.
E se eu precisar de ajuda com a produção de leite?
Questões de produção, de suplementação ou de medicação são acompanhadas pela parteira, pela consultora em aleitamento e pelo médico. Ajudamos a encaminhar.
Quando procurar o médico
Procure o pediatra se o bebé recusar mamar, molhar poucas fraldas, perder peso ou não o recuperar, tiver febre, estiver muito sonolento ou amarelado. Procure o seu médico se tiver uma mama vermelha, quente e dolorosa com febre ou arrepios.